Lotes Especiais

 

VINHO LICOROSO GARGANEGA IGNEZ | LATE HARVEST SAFRA 2017  

 

Dentro de cada garrafa de vinho existe uma história. Ele é fruto das características de um terroir, da cultura de um povo, da filosofia de trabalho do produtor e das condições oferecidas pela natureza em uma determinada safra.

Por isso, iremos lhe contar algumas histórias para que possam compreender o significado do Vinho Licoroso Garganega Ignez 2017.

 

Quem é Ignez?

Ignez Mazzochi Argenta é mãe de Arnaldo Argenta. Descendente de imigrantes italianos da região do Vêneto, daquelas famílias típicas com muitos filhos para ajudar na mão de obra de campo. Foi viticultora, assim como seus pais e desde cedo produzia vinhos de uvas americanas para consumo da família.

Foi uma mulher batalhadora e que sempre trabalhou muito para sustentar seus cinco filhos e poder dar-lhes condições de estudar.

Ignez faleceu em 2019, após lutar por mais de 20 anos contra o mal de Alzheimer. Tão forte era esta mulher que seu corpo suportou todos estes anos e suas faculdades mentais foram se esgotando aos poucos. A última memória que ela deve ter tido possivelmente seja do seu filho Arnaldo, que lhe cuidou com muito amor por todos estes anos, de forma incansável e sempre esperançoso de que surgisse uma cura para este mal. Não deixava de solicitar às suas cuidadoras para que dessem a dose diária do vinho a sua mãe, que mesmo sem poder responder reagia com olhares e uma cumplicidade inacreditável.

Nada mais justo que homenageá-la neste vinho fortificado, enaltecendo sua força de vontade em se manter-se viva. Onde quer que Ignez esteja, temos certeza que está abençoando a Valparaiso.

 

Sobre a Variedade Garganega

Uva autóctone italiana, mais precisamente de Verona, na Região do Vêneto. Uma das variedades brancas mais cultivadas na Itália.

Utilizada em varietais e também em cortes com Chardonnay e Trebbiano para dar mais leveza e frescor. Alguns exemplos de vinhos com denominação de origem são: Soave DOC, Gambellara DOCG, Arcole DOCG e o famoso Recioto di Soave.

Cepa vigorosa, de casca resistente e cacho alongado, permitindo boa ventilação e por conseqüência postergando o tempo de colheita. Muito utilizada para vinhos passitos, vinhos brancos e também espumantes. É um dos poucos vinhos brancos que permite o envelhecimento, sendo o auge para consumo depois de 3 a 4 anos.

Nossas mudas de Garganega foram adquiridas de um viveiro italiano e plantadas em 2014, quando ainda não havíamos implantando o Sistema de Produção Protegido nesta parcela do vinhedo. Sendo assim, houve muita dificuldade em manter-se a planta ativa.

O local escolhido para implantação foi um aclive, onde foi desenvolvido um sistema de patamares para melhor insolação e ventilação das videiras.

O variedade Garganega é de difícil produção no Brasil. Na Serra Gaúcha, o excesso de umidade traz elevado risco de doenças folhares e podridões. Por isso a importância do Sistema de Produção Protegido e do manejo adequado para permitir o correto desenvolvimento da variedade.

 

O que é a Botrytis Cinerea?

A Botrytis Cinerea é um fungo que se desenvolve em locais com muita umidade e altos índices pluviométricos. Contudo, o seu aparecimento nas vinhas só terá conseqüências positivas em condições especiais de clima. Noites úmidas seguidas de dias ensolarados e secos, além da fase final de maturação, são ideais para a Botrytis Cinerea.

Caso a umidade se mantenha e haja excesso de água, as uvas podem apodrecer e a colheita se perder, sendo considerado como podridão cinzenta.

Este fungo aparece sobre as uvas como um pó acinzentado e, por isso, recebe o nome Cinerea – em latim significa “cinza”. Eles fazem perfurações muito finas nas cascas das uvas, permitindo que grande parte do seu suco evapore. Esse processo causa desidratação e aumenta a concentração de sabores, açúcar e acidez.

Não é possível estimular nem evitar o ataque desse fungo, por isso, os vinhos botritizados são obtidos apenas pela natureza.

 

Foi um feito da natureza

Em 2017 tivemos a primeira safrinha da variedade Garganega. Como o volume de produção foi muito baixo, resolvemos deixar os poucos cachos gerados por um tempo superior no pé no intuito de entender qual o limite que a planta suportaria nesta fase de amadurecimento das uvas.

Algumas semanas depois, nossos colaboradores relataram que aquelas poucas uvas que se desenvolveram haviam apodrecido no pé por excesso de maturação. Sendo assim, Arnaldo Argenta resolve fazer uma inspeção no dia 29/05/2017, quando constatou que praticamente 70% das bagas haviam sido acometidas pela Botrytis Cinerea e decidiu-se realizar a colheita das uvas no mesmo dia.

A podridão nobre é uma condição muito rara em nossa região, pois mesmo tendo-se o Sistema de Produção Protegido, manejo meticuloso e emprego de muito conhecimento na viticultura, é necessária uma perfeita sinergia entre umidade relativa do ar, índice pluviométrico e temperatura adequada neste momento crítico do final da maturação da planta.

Esta condição é tão rara que não sabíamos ao certo como manipular as uvas neste estágio. Na época contatamos profissionais da área para buscar alternativas, mas realmente era algo novo e teríamos que fazer tentativas por conta.

Sendo assim, recorreu-se à pesquisa na internet, onde, em um site italiano encontramos uma história que nos deu uma luz de como agir naquele momento. Conta a história, que no Século XVII, os frades de uma Comune de Roma, em função das condições climáticas, foram obrigados a adiar a colheita das vinhas. No momento em que chegaram ao local, perceberam que as uvas tinham sido afetadas por fungos.

Desapontados com a situação e necessitando aproveitar de alguma forma as uvas naquele estágio, decidiram colhê-las mesmo passificadas e tentar hidratá-las através do aquecimento em tachos para poder extrair algum líquido. Eis que obtiveram um mosto extremamente escuro, de forte odor e com altíssimo índice de açúcar, que transformou-se numa grata surpresa com o resultado final do vinho: um néctar divino.

Foi através desta história que Arnaldo Argenta se inspirou na técnica ancestral e teve a ideia de fazer uma tentativa de hidratação das bagas a frio (já que não possuía tachos para aquecer). Colocou as bagas no interior da câmara fria, vedou-as com um plástico e programou a umidade relativa do ar em 98%. Após 15 dias elas foram retiradas e estavam novamente hidratadas, com possibilidade de extração do mosto pelo processo convencional.

Então, deixou as bagas repousarem ao ar livre por cerca de 3 dias para que a temperatura ficasse adequada para o processo de fermentação natural (ativação das leveduras).

Após, desengassou normalmente as uvas, resultando em um líquido com altíssimo índice de açúcar e aromas fantásticos. A fermentação foi feita de maneira natural.

Foi realizada maceração por cerca de seis dias e depois extraído o mosto principal e colocado para fazer a fermentação, que por sua vez, durou em torno de 60 dias nesta primeira fase. Seguindo o processo, foi realizada a limpeza das borras e o processo de abafamento com o destilado (grappa) da própria uva Garganega.

Não foi necessário realizar trasfega, deixando-se somente em repouso para decantação natural, permanecendo em maturação no tanque por cerca de dois anos, sendo envasado em agosto de 2019.

Foi realmente um presente da natureza que dificilmente conseguiremos reproduzir.

Foram produzidas 297 garrafas deste néctar divino.

 

Serviço

Por ser licoroso, é indicado apreciar uma dose menor que um vinho tradicional, ou seja, em torno de 30ml em taça baixa ou especial de licor. Além disso, ele também é degustado em momentos diferentes da refeição principal, sendo indicado para acompanhar sobremesas e aperitivos.

Temperatura: 10 a 12 C

 

Análise Sensorial

Visual: Âmbar intenso, com alguns pequenos sedimentos em função da não filtragem.

Aromas: Complexidade aromática, ressaltando frutas secas, em especial o damasco. Notas de lichia e mel.

Paladar: Intenso e envolvente, destaca frutas secas. Denso e aveludado, apresenta um ótimo equilíbrio entre álcool, acidez e a leve doçura que prolonga seu final de boca.

Vinho completamente livre de intervenções. Sem correção com açúcar exógeno, apenas o da própria uva. Livre de sulfitos.

 

Armazenagem

Manter em local fresco e com pouca exposição à luz. Não contém sulfitos, por isso, não temos indicação de tempo de guarda. Após aberto deve ser mantido sob refrigeração, onde por experiência pessoal, pode durar até seis meses.

Sobre a loja

A Valparaiso Vinhos e Vinhedos leva até você toda a pureza e integridade da uva, graças ao seu Sistema de Produção Protegido, que possibilita uvas de altíssima sanidade e com maturação adequada, potencializando as características enológicas das variedades. Vinhedos próprios, castas diferenciadas, colheita manual, leveduras selvagens, clarificação natural e sem filtragem. Esta é a nossa filosofia de mínima intervenção para o máximo potencial da uva.

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